segunda-feira, 12 de março de 2012


Fazer o bem em troca do mal. É possível?


"Amai os vossos inimigos", ensina o mestre maior, Nosso Senhor Jesus Cristo. A frase é bonita no papel, mas sejamos sinceros: tão difícil ser colocada em prática.
Infelizmente, vivemos num mundo onde o sofrimento é a maior causa das expiações e do nosso desenvolvimento espiritual. Para amadurecermos há dois caminhos: da dor e do amor. E por que não escolher sempre o amor?


Nesses últimos dias, assisti dois filmes que recomendo a quem acredita que o caminho do amor é utópico. São filmes antigos e biográficos que valem a pena: Gandhi (Richard Attenborough) e Kundun (Martin Scorsese). 






O primeiro fala sobre como o jovem advogado Mahatma Gandhi se tornou o grande líder espiritual e sem armas, conseguiu a independência da Índia, até então dominada pela Inglaterra.
Sem o derramamento de sangue de sua parte, ele conseguiu que mais de 700 milhões de indianos e muçulmanos fossem liberados da opressão do império inglês. No filme, há seu relato sobre a não-violência: 

"O que quer que façam conosco, não iremos atacar ninguém nem matar ninguém. Estou pedindo que vocês lutem, que lutem contra o ódio deles, não para provocá-lo. Nós não vamos desferir socos, mas tolerá-los, e através do nosso sofrimento faremos com que vejam suas próprias injustiças e isso irá feri-los, como todas as lutas ferem, mas não podemos perder, não podemos. Eles poderão torturar meu corpo, quebrar meus ossos, até me matar, então terão meu corpo inerte, mas não a minha obediência".

Foi por meio de sua mulher, Kasturbai Makanji Gandhi, que ele compreendeu que o melhor caminho é fazer o bem em troca do mal, conforme disse:

"Foi a minha mulher que me ensinou a não-violência, quando tentei dobrá-la à minha vontade. A sua obstinada resistência, de um lado, e, do outro, a tranquila submissão no sofrimento que padecia por causa da minha estupidez, agiu de tal modo em mim que comecei a envergonhar-me e deixei de acreditar que tinha por natureza o direito de dominá-la. Destarte, ela tornou-se o meu mestre da não-violência".


Já em Kundun, é contada a história da preparação de Tenzin Gyatso, reconhecido por ser a 14ª encarnação do Buda da Compaixão, o Dalai Lama. O filme também retrata a sua permanência aos princípios da não-violência mesmo quando a China comunista invade seu país, o Tibete, o que o fez fugir para a Índia (onde vive até hoje em exílio).

E depois de assistir Kundun, recomendo Sete Anos no Tibet, filme de Jean-Jacques Annaud e que retrata a história dos anos em que o alpinista Heinrich Harrer vive ao lado de Dalai Lama, enquanto jovem. 

Foi o primeiro ocidental com quem ele manteve contato. Heinrich, egocêntrico, passa por uma transformação pessoal proporcionada pelo convívio com alguém de espírito tão iluminado.

Enfim, caminhar pelo amor ou pelo sofrimento só depende de uma livre escolha. Cada um escreve a sua própria história. É como disse Chico Xavier: "Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova, no livro do tempo. Aquilo que escrevemos nela, corre por nossa conta".


Cena do filme "Sete Anos no Tibet"

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